Como a ansiedade rouba minha paz mesmo quando tá tudo bem

Sabe aquele momento raro em que tá tudo tranquilo? A casa tá limpa, os boletos pagos, ninguém mandou mensagem pedindo favor, o cachorro dormindo, o gato ronronando, a esposa feliz, a geladeira cheia. Você deveria estar em paz.

Mas aí vem ela.

A ansiedade. Aquela visitante folgada que entra sem bater, abre a porta da sua cabeça e começa a andar de salto alto pelos pensamentos.

Você tá ali deitado no sofá, com o filme rolando e o copo de whisky na mão, e de repente…
“Será que eu devia estar fazendo algo mais útil agora?”
“E se eu perder alguma oportunidade por estar descansando?”
“E se tudo desandar amanhã e essa paz for só uma pegadinha do destino?”

Pronto. Já era.

A ansiedade não respeita nem o silêncio. Ela escuta o barulho da paz e resolve aumentar o volume do e se…?.
E o mais louco? Às vezes tá tudo mesmo sob controle. Só que o cérebro, viciado em caos, desconfia. Como se a calma fosse suspeita. Como se ser feliz por cinco minutos fosse abuso de otimismo.

É como se a mente tivesse síndrome de abstinência de problema. Ela precisa de um drama. Precisa de um checklist aberto, uma culpa pendurada, uma coisinha fora do lugar pra justificar esse desconforto que brota do nada.

Eu aprendi, na marra, que viver com menos não, necessariamente, significa pensar menos. Depois que tirei as tralhas da casa, as vozes na cabeça ficaram mais quietas, mas continuam lá. E é aí que começa o verdadeiro desafio do minimalismo emocional: não acumular pensamento inútil igual acumula fio velho em gaveta.

Hoje, quando a ansiedade bate, eu tento não bater de volta. Deixo ela entrar, sentar no canto e fazer o showzinho dela. Enquanto isso, eu sigo aqui, no meu sofá gigante, tentando lembrar que tá tudo bem.

Porque às vezes, a vida tá boa sim. A gente é que desaprendeu a acreditar nisso sem pedir recibo.

Se sua mente não consegue ficar em paz nem quando tudo tá bem… talvez seja hora de parar de resolver problema e começar a desapegar do vício de ter um.

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