Ah, o influencer perfeito. Aquele cara que acorda às 4h59 da manhã porque, segundo ele, os vencedores não precisam de sono, só de disciplina. Ele toma banho gelado enquanto recita mantras de foco, faz um treino de alta intensidade (filmando tudo, claro) e depois escreve num diário sobre como a manhã dele foi “incrivelmente produtiva”.
Enquanto isso, eu estou aqui, lutando para sair da cama sem tropeçar no chinelo, pensando se o café que sobrou de ontem ainda está bebível.
A síndrome do “eu também posso”
O problema não é ele ser tão motivado. Na verdade, eu até admiro. O problema é o efeito que isso tem em mim. Cada postagem do tipo “acorde e vença o dia!” ou “só fracassa quem desiste” me dá uma pontada de culpa. Penso: “Se ele consegue, por que eu não consigo?”
Então, como qualquer pessoa que está se comparando e se sentindo insuficiente, decidi imitar.
Tentando viver como ele
No primeiro dia, segui todas as “regras” do influencer: acordei às 5h (com um despertador tão alto que quase me expulsou da cama), pulei no banho gelado (o que foi tão traumático que pensei em processar a ideia), e sentei para escrever meus objetivos no papel.
A realidade? Meus “objetivos” eram só pensamentos rabiscados como “voltar para a cama” e “nunca mais fazer isso”.
Depois, ainda tentei fazer o treino matinal dele. A diferença é que, enquanto ele parecia um guerreiro espartano no vídeo, eu me senti uma batata tentando sobreviver. Para completar, passei o resto do dia exausto e com uma vontade crescente de jogar a agenda motivacional pela janela.
Por que a vida dele parece tão fácil?
Depois de alguns dias nesse ritmo insano, desisti. Não porque não sou capaz de mudanças, mas porque percebi algo importante: a vida perfeita não existe, nem a dele, e definitivamente nem a minha.
O influencer perfeito vive de mostrar disciplina e produtividade. É literalmente o trabalho dele. Claro que ele vai postar os melhores momentos, as frases mais impactantes e os vídeos mais inspiradores. O que ele não mostra? Os dias ruins, o cansaço, ou o fato de que, talvez, ele tenha uma equipe inteira para editar vídeos enquanto eu lavo a louça.
Não somos iguais, e isso é bom
Foi aí que caiu a ficha: a verdadeira produtividade não é sobre imitar o que funciona para os outros, mas sobre encontrar o que funciona para você. Eu não sou ele, e não preciso ser. Tenho meu próprio ritmo, minhas próprias prioridades e, sim, meus próprios desafios.
Talvez eu nunca seja o cara que acorda antes do sol, mas posso ser o cara que encontra tempo no meio do dia para o que é importante. Talvez meu treino não seja épico, mas subir e descer escadas já é um começo.
Meta realista, vida mais leve
Decidi, então, mudar a meta do mês. Em vez de tentar me transformar numa versão genérica de um superprodutivo, vou parar de me comparar e começar a me perguntar: o que eu realmente quero melhorar na minha vida?
Talvez isso signifique dormir meia hora mais cedo, ou apenas tomar meu café sem pressa. Talvez signifique fazer uma lista curta de tarefas, em vez de tentar abraçar o mundo.
Porque, no final das contas, o verdadeiro sucesso não é parecer produtivo para os outros. É encontrar um equilíbrio que funcione para você.
Então, da próxima vez que o influencer motivacional aparecer no meu feed às 5 da manhã, todo energético e vitorioso, vou dar uma olhada, rir um pouco e lembrar: ele tem o caminho dele, e eu tenho o meu.
E no meu caminho, o café quente e as manhãs sem banho gelado são muito mais bem-vindos.